Vive-se ainda com uma necessidade estranha

O desenvolvimento humano é um processo dinâmico: uma pessoa é influenciada pelo meio em que vive, mas pode também influenciar esse mesmo meio. 

Para uma criança, a família tende a ser o primeiro elemento de contacto com o exterior e é através das relações familiares, que vai crescendo, formando a sua personalidade, com base num sistema de crenças e valores.

Estes sistemas de crenças e valores, são muitas vezes passados de gerações em gerações, de famílias em famílias, onde as pessoas os aceitam sem questionar se realmente estão ou não adequados consigo.

Existem muitas famílias, mas não existe nenhuma família igual a outra.

Existem as famílias biológicas, as famílias adotivas, as famílias de coração, as famílias mono parentais, as famílias em que os cuidadores são os 2 do mesmo género, as famílias em que cuidadores são os avós, famílias em que os cuidadores são os tios, etc. 

Muitos poderiam dizer que há as famílias normais, e as famílias que não são normais (logo não  seriam famílias). 

Na verdade, um dos pilares fundamentais de uma família é o amor.

E quando se vive e cresce em amor, cresce-se com a liberdade de se poder ser quem na realidade somos.

Na primeira infância, as crianças tornam-se capazes de reconhecer e identificar nas outras crianças características que as distinguem umas das outras. Mas não fazem juízos de valor, não julgam! Isso são os adultos que lhes passam: seja pelo que lhes dizem diretamente, pelo que elas ouvem daquilo que dizes a outros, ou pelo teu exemplo.

Ainda assim, há muitas crianças que continuam a ser educadas para fazerem juízos de valor, para identificarem e julgarem as diferenças que possam encontrar no outro; como se todos tivessem que seguir um padrão e quem não corresponde tem um erro de fabrico.

Nenhuma criança nasce racista, xenófoba ou homofóbica. Esses conceitos são introduzidos pelos adultos. 

Vive-se ainda com uma necessidade estranha de se encaixar as pessoas em rótulos. Vive-se ainda com uma necessidade estranha de se olhar e apontar o dedo a alguém igual a qualquer um de nós, simplesmente com características diferentes do dito padrão.

Vive-se ainda com uma necessidade estranha de não se aceitar a individualidade de cada um.

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  1. Uma importante reflexão sobre o papel das famílias na composição do ser. Tenho a plena certeza de que é no seio da família (e não importa que tipo de família é) que a criança constrói ou desconstrói as formas de ver e de estar no mundo. Vou ilustrar um com breve história: qdo a minha filha tinha 3 anos ela disse-me que não gostava de gente preta. Levei um susto e mostrei a ela não só conhecia e como gostava (muito) de algumas pessoas negras, inclusive a professora dela. Tbm, expliquei-lhe que as pessoas devem ser gostadas ou não pelo que elas são e não pela cor da pele, tipo de cabelo, peso corporal, entre outras coisas. Não satisfeita, decidi investigar da onde havia partido tal absurdo. Descobri que uma amiguinha de classe (branca, quase transparente) havia “ensinado-lhe” isso. Fui até a professora e criámos um projeto no qual apresentámos as diferenças como algo natural do ser humano e de uma sociedade. Contudo, acredito que aquela menininha, hoje uma mulher adulta, deve ter continuado com o seu pensamento racista. Já a minha filha aprendeu tão bem que hoje dedica-se a estudar e a lutar pelos direitos humanos.

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